Novo Focus sedã quer brigar a sério com Civic e Corolla
Arquivado em Ford, Outros por contato em 30-08-2008
A Ford jamais deu no Brasil a atenção merecida pelo Focus. Médio com virtudes reconhecidas, o modelo produzido na Argentina nunca emplacou por aqui e sempre manteve vendas mensais que dificilmente ultrapassavam 1.500 unidades, seja no hatch ou no sedã. Mas o mercado brasileiro mudou muito desde o lançamento do modelo no país, em 2000, e a Ford percebeu que não poderia vacilar novamente. Por isso, promete dar um foco — sem trocadilho — especial ao sedã, de olho no agitado nicho dos três-volumes médios.
E as ambições da Ford não são tímidas. A fabricante quer brigar diretamente com Honda Civic e Toyota Corolla, tradicionais líderes do segmento, que registram médias superiores a 4.500 unidades/mês. Para alcançar tal desempenho, a fabricante tratou de adiantar o lançamento da nova geração do Focus. No entanto, o modelo antigo continua em produção como versão de entrada, apenas com motor 1.6 flex e câmbio manual. O novo Focus 2.0 só roda com gasolina.
Inicialmente, o carro só seria renovado no segundo semestre do ano que vem. Mas, como estratégia de mercado, com o Civic na meia-vida, o Corolla em crescimento nas vendas, o Citroën C4 Pallas com as manguinhas de fora e outros médios perdendo fôlego, como Renault Mégane e Chevrolet Vectra, a Ford percebeu que era hora de atacar. Trouxe a plataforma global do Focus, lançada em 2003, utilizada também pela minivan C-Max, pelo Volvo C30, pelo Mazda 3 e que, futuramente, servirá ao Ford Kuga. Além dos avanços mecânicos em relação à primeira versão, adotou no médio o mesmo design que estreou na Europa em abril passado.
Sai de cena o estilo New Edge dos anos 90 e entra o conceito Kinectic, que dita os carros da marca na atualidade. E essa tendência fica evidente logo na frente. Os faróis têm formas pontiagudas próximas à grade e cortes bem definidos. A aparência é a de um relâmpago.
O capô em cunha tem duas saliências que combinam com o conjunto ótico e depois formam uma espécie de moldura vazada das lentes. A grade trapezoidal superior tem uma barra cromada, enquanto a generosa entrada de ar inferior, posicionada na saia, carrega uma moldura preta para ostentar a placa. As caixas de rodas são volumosas para passar sensação de robustez.
Ficou maior
De perfil, o novo Focus lembra um Volvo, marca sueca que faz parte do Grupo Ford. E o sedã está maior. Tem 4,48 m de comprimento, 1,84 m de largura, 1,49 m de altura e 2,64 m de entre eixos — respectivamente 12 cm, 11 cm, 1 cm e 15 cm a mais que o sedã anterior. Os faróis angulosos ajudam a passar a sensação de movimento. A primeira coluna angulosa e a linha de cintura relativamente alta e levemente inclinada ajudam nesta impressão dinâmica. Na traseira, tampa do porta-malas elevada e com cortes bem definidos. As lanternas triangulares têm um dos vértices invadindo as laterais e luzes de ré e indicadoras de direção são redondas, num visual que remete ao Mondeo e novamente a modelos da Volvo.
Para todas as versões do novo Focus, por enquanto, estará disponível somente o motor Duratec 2.0 de 145 cv, a gasolina, produzido no México. Por dentro do habitáculo, novos materiais e acabamento que variam entre as versões Ghia e GLX do sedã e do hatch. Em termos de equipamentos de segurança, airbags duplos, freios com ABS e de controle em curvas se juntam a ar-condicionado, direção eletro-hidráulica com modos de condução “esportiva”, “conforto” e “normal”, trio elétrico, regulagens de altura e de profundidade do volante e do banco do motorista, rádio/CD/MP3, computador de bordo, entre outros.
Quanto é?
A aposta é na relação custo/benefício. O Focus sedã começa em R$ 59.690 na configuração GLX mecânica, mas a versão “de trabalho” para a marca é a GLX automática, por R$ 64.190 e com nova caixa automática de quatro velocidades e modo seqüencial — a Ford estima que 80% das vendas serão da versão GLX e 70% do total de emplacamentos trará câmbio automático. A Ghia parte dos R$ 70.390 com controle de cruzeiro, sensor de obstáculos traseiro, ar automático com dual zone, teto-solar, sistema de áudio com bluetooth e entradas USB e iPod e controle remoto no lugar de chave. A top é a Ghia automática, com preço sugerido de R$ 74.890. Todas as versões com preços estrategicamente próximos ou abaixo dos principais concorrentes. Ao que parece, a Ford está com a faca e com o queijo na mão.
[Por: Uol Carros]




