
“Queremos retomar a liderança entre os sedãs médios. Nosso cliente não vem atrás de esportividade, ele quer um carro luxuoso, confortável e prático”. Essas frases proferidas por executivos da Toyota em uma coletiva de imprensa resumem bem o espírito da 10ª geração do Corolla, o carro mais vendido do mundo com cerca de 33 milhões de unidades comercializadas em sua história.
Após perder o 1º lugar em vendas para o novo Honda Civic lançado em 2006 e com declarado apelo esportivo – basta mencionar o “S” (de sport, em inglês) que foi acrescentado à nomenclatura das versões LX e EX –, a Toyota preparou a ofensiva e mostrou nesta quarta-feira (26/3) o novo Corolla, que mira um público “abandonado” pelo Civic: os mais conservadores, que procuram um sedã “luxuoso, confortável e prático”, como foi colocado por Soichiro Okudaira, engenheiro responsável pelo projeto de atualização do carro.
Fato é que o modelo ganhou 10 mm no comprimento, agora com 4,54 m, e 55 mm na largura, passando a 1,76 m. O entreeixos não foi alterado, portanto, mantém os mesmos 2,60 m. Uma boa novidade é o assoalho traseiro, que passou a ser plano, a exemplo do Civic. O porta-malas também aumentou, de 437 l para 470 l, e o banco traseiro pode ser rebatido na proporção 60/80. Curioso é que o painel, com superfície rebaixada, se une ao acabamento das portas e cria um clima mais envolvente no interior, parecido com o do principal concorrente. Será só uma coincidência?
Com o tripé elegância, conforto e sofisticação em mente, os engenheiros criaram uma frente imponente, baseada no luxuoso Camry, também da Toyota, que confere um ar de “carrão” ao sedã médio. Até mesmo limpadores para os faróis, porta-luvas em dois níveis e repetidores do pisca nos retrovisores externos estão presentes no modelo. O destaque da lateral fica para a linha de cintura, agora mais alta. Na traseira, a tampa do porta-malas não foi mexida. As principais modificações ficam por conta das lanternas e da inclusão de refletores vermelhos no pára-choque traseiro.
Ao volante
A empresa fez questão de ressaltar o silêncio a bordo do veículo, com a inclusão de um revestimento acústico melhorado, mas não foi o que constatamos ao rodar com o carro. A bordo de um XEi manual, o motor fez questão de anunciar seu funcionamento durante as reduções e acelerações. Já com um SE-G top de linha, que só é oferecido com câmbio automático de 4 marchas, o barulho foi menor, mas ainda invadia o habitáculo.
Aliás, em relação ao câmbio automático, um detalhe que pode causar certa confusão em um primeiro contato: no trilho das marchas, a posição Drive está sinalizada com a indicação “3-D”, só que, se o motorista não deslocar a alavanca para a posição correta, ou seja, à direita, o câmbio só trocará até a 3ª marcha.
Os motores continuam os mesmos do modelo antigo. O 1.6 l 16V, somente a gasolina, oferece tecnologia de abertura de válvulas variável (VVTi), 110 cv de potência a 6 000 rpm e torque de 15 kgfm a 4 400 rpm. Já o 1.8 l 16V, bicombustível, rende 136 cv e 17,5 kgfm de torque com álcool e 132 cv e 17,3 kgfm com gasolina. Os dados máximos de potência e torque são atingidos, respectivamente, a 6 000 e 4 200 giros. A Toyota informa que equipou o novo Corolla com um conversor catalítico mais eficiente devido às novas normas de emissão que entrarão em vigor no Brasil a partir do próximo ano.
A dirigibilidade continua semelhante à de seu antecessor, bem acertada para a cidade. O carro é suave ao enfrentar lombadas, por exemplo, mas em percurso rodoviário, a carroceria inclina em curvas mais fechadas, exigindo atenção do motorista. A suspensão – independente na dianteira do tipo McPherson com barra estabilizadora e semi-independente na traseira – conta com molas, amortecedores e bandeja redimensionados.
[Por: CarroOnline]